A lenda da Ilha de São Pedro e o nome Penedo

Atualizado: Jul 23

Arquivo pessoal


Pedra de São Pedro - Ilha de São Pedro - Penedo/AL


Às vezes as histórias se desencontram e a gente acaba tomando como verdade aquilo que nos é apresentado. Estou falando sobre o real motivo que deu origem ao nome Penedo. Fique sabendo que NÃO foi por causa da “rocheira”, que é um dos principais pontos turísticos do Penedo-AL e, onde podemos encontrar uma placa, em memória de Raimundo Marinho, cravada na rocha, afirmando que aqueles rochedos sobre os quais a cidade foi construída é que deram origem ao nome Penedo.


Foto da placa cravada na "rocheira"

Dessa forma, buscando informações históricas e ricas sobre nosso Penedo, descobri, primeiramente, que está errado falar “de” Penedo, “em” Penedo, “na” Penedo, “a” Penedo ou qualquer outra forma que desvie do gênero masculino da palavra Penedo. Assim sendo, é correto falar “no” Penedo, “do” Penedo, “o” Penedo, pois, Penedo é tido como um acidente geográfico precedido do artigo “o”; O PENEDO. Assim como a cidade do Recife (fazendo referência aos rochedos), já sabemos que é errado falar “em” Recife, “de” Recife, sendo que o correto é dizer “no” Recife, “do” Recife...


Apesar da liberdade na escrita ou na fala, ainda prefiro seguir a regra que considera o artigo “o” para a palavra Penedo e peço ao leitor que desconsidere as vezes que, erroneamente, utilizei “a”, “em”, “de” fazendo referência ao Penedo. Descobri isso no interessante livro “Arruando para o Forte”, de Francisco Sales e complementei o assunto com pesquisas na internet.

Folheando o livro de Francisco Sales, acabei descobrindo que existe uma grande pedra na Ilha de São Pedro a qual possui uma lenda curiosa que desperta o interesse do leitor, aquele leitor desconfiado que gosta de ver as coisas de perto. Eu sabia da existência dessa pedra, mas, os detalhes que fazem a história dela eram sabidos por poucas pessoas. Na página 86 você encontrará o seguinte trecho:

A lenda diz que São Pedro enviou o apóstolo São Tomé para pregar o evangelho nestas paragens e ensinar aos índios o cultivo da terra. E na ilha ali em frente existe um rochedo, a Pedra de São Pedro, onde Sumé, como os da terra chamavam e reverenciavam São Tomé, para provar seus poderes santos, em um ponto bem visível da rocha, deixou o registro de suas pegadas e da ponta de seu cajado.


Vista da "rocheira" para a Ilha de São Pedro

Trata-se de um registro histórico baseado nos estudos do historiador Antonio Gonçalves de Mello, que buscou informações em antiquíssimos documentos fazendo referência ao assunto. Quem estiver na “rocheira”, consegue avistar a Ilha de São Pedro, conforme foto acima. Segundo informações colhidas, em tempos do antigo prefeito do Penedo, Dr. Raimundo Marinho, era possível avistar, desta “rocheira”, a Pedra de São Pedro, pois havia preservação da história aliada ao fluxo turístico. Os turistas chegavam no Penedo, recebiam informações sobre a história da pedra e pediam para fazer a travessia com os barqueiros postos a realizar tal tarefa.

O tempo e o abandono de tal ponto de visitação permitiram o crescimento da vegetação em torno da Pedra de São Pedro, criando obstáculos de acesso e cobrindo-a completamente. Na margem da ilha, as plantas aquáticas cresceram em grandes proporções, impedindo qualquer embarcação chegar até a pedra. Parando a embarcação em um ponto mais distante da pedra e seguindo por terra, as árvores, ortigas, mato fechado, espécies de animais peçonhentos também são fatores que dificultam o acesso.


Plantas aquáticas que cresceram nas margens da Ilha de São Pedro



Os pescadores mais antigos sabem e têm como verdade a versão de que o nome Penedo vem da rocha cravada na ilha. O interessante é que ao longo dos anos, ninguém ousou fazer o registro fotográfico de tal pedra para o público. Assim sendo, motivado pela curiosidade, ousadia e espírito aventureiro, decidi enfrentar os obstáculos que impediam a observação da grande pedra e, assim, contratei os serviços de um barqueiro que, prontamente, realizou algumas travessias comigo, orientando como chegar lá.


Faça chuva ou faça sol, um pesquisador precisa ir a campo

No entanto, cabe fazer uma observação; busquei informações sobre o(s) dono(s) da ilha para pedir autorização e fazer a travessia, porém, não obtive sucesso. No entanto, peço, respeitosamente, a compreensão do(s) proprietário(s) da ilha de São Pedro sobre a ousadia de invadir um território sem permissão, porém, o motivo da invasão se trata de uma pesquisa que vem trazer a público um assunto histórico e turístico que é de interesse de todos. É a história do Penedo.


Eu, senhor Edézio (de óculos) e senhor Jorge, comemorando com alegria nossa chegada à Pedra de São Pedro

Acredito firmemente que uma ação de limpeza para (re)apresentar a Pedra de São Pedro aos moradores, turistas e visitantes não seria apenas uma forma de reescrever a história do Penedo, seria mais um motivo para atrair pessoas que, assim como eu, gostaria de chegar perto da grande pedra que deu origem ao nome do município, fazer fotos da pedra que os pescadores mais antigos relatam que não houve enchente que a cobrisse, a pedra que tem a marca do pé e do cajado de São Tomé, a pedra que complementa a imagem turística do Penedo, a pedra que pode complementar a renda dos atravessadores (barqueiros) e, consequentemente, gerar mais ações que contribuam com o desenvolvimento turístico do município.

As fotos mostram o que seria a marca do pé de São Tomé (apóstolo de São Pedro)

Penedo tem potencialidades turísticas que precisam ser observadas e trabalhadas. E este blog, assim como a agência de viagens e turismo Mais Tour, vem trazendo contribuições que se somam ao objetivo de se ter um turismo com desenvolvimento sustentável.

Primeira selfie mostrando, ao fundo, a grande Pedra de São Pedro. A pedra que deu origem ao nome Penedo


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